quinta-feira, 19 de abril de 2012

O IMPACTO DA GLOBALIZAÇÃO NA ELABORAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS URBANAS: UMA POSSIBILIDADE DE APROXIMAR A CIDADE À CIDADANIA.


Cintia Maria Scheid

A globalização impôs ao mundo e, especialmente, aos países de menor envergadura econômica, a adoção de certas medidas que acabaram resultando na erosão da soberania e no comprometimento da democracia, na medida em que decisões antes atinentes ao âmbito do Estado-nação passaram a ser tomadas em nível transnacional.

Os impactos desse fenômeno se fazem sentir por toda a parte, e os custos sociais são suportados, em realidade, pelos países periféricos, onde a cidade é a expressão visível desse processo, seja porque o aumento do desemprego oriundo da lógica da reestruturação da produção através da automatização gerou um nível de desemprego assustador, desprovendo grande parte da população de recursos para fazer frente às suas necessidades mais básicas, como a habitação, seja porque o processo de globalização, ao exigir que as políticas públicas urbanas se orientem para os investimentos em infraestrutura que proporcionem o fluxo global de capital e informação deixam de lado aquele setor da cidade para onde se dirige a grande parte da população carente.

O reconhecimento dessa situação é o ponto de partida para que as políticas públicas urbanas sejam democráticas e integradoras, através da participação do cidadão num processo amplo de discussão acerca das reais necessidades urbanas. Ao potencializar a co-gestão entre o Estado e a sociedade, ou seja, entre o público e o privado, é possível minimizar os efeitos perversos decorrentes da nova ordem mundial em que as cidades estão inseridas. Nesse sentido, o papel das organizações transnacionais fortalece o trabalho realizado em nível local, pois ao fornecerem parâmetros e princípios norteadores dessa nova dinâmica, amplificam as reais questões urbanas para o nível internacional.

Com efeito, o que se demanda é uma redefinição dos papéis do Estado, da sociedade civil e do espaço público em face da realidade globalizada em que está inserida a sociedade contemporânea, onde o poder local exerce papel fundamental. Nesse contexto, a globalização possibilita, ainda que de forma oblíqua, a construção do espaço local mediante a participação do indivíduo como protagonista no processo de reconstrução da cidade democrática, aproximando, assim, a cidade à cidadania.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ARANTES, Otília; MARICATO, Ermínia; VAINER, Carlos. A cidade do pensamento único:
desmanchando conceitos. Petrópolis: Vozes, 2000.
BORJA, Jordi e CASTELLS, Manuel. Local y Global: la gestión de las ciudades en la era de la
información. Madrid: Grupo Santillana Ediciones S.A, 2000.
DOWBOR, Ladislau. Da globalização ao poder local: a nova hierarquia dos espaços. 1995.
Disponível em http://dowbor.org/5espaco.asp. Acessado em 28/06/2007.
_______________. A reprodução social. Volume III – Descentralização e Participação: As
novas tendências. São Paulo, fevereiro de 2001. Disponível em
http://dowbor.org/5espaco.asp. Acessado em 28/06/2007.
EGLER, Tâmara Tânia Cohen. Políticas urbanas para o espaço global. Economia, Sociedad y
Território, vol. V, num. 17, 2005. Disponível em
http:/www.cmq.edu.mx/documentos/Revista/revista17/Cohen_est_volV_num17_2005_pdf.
Acessado em 18/08/2007.
HERMANY, Ricardo. (Re) Discutindo o espaço local: uma abordagem a partir do direito
social de Gurvich. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2007.
HESPANHA, Pedro. Mal-estar e risco social num mundo globalizado: Novos problemas e
novos desafios para a teoria social. In A globalização e as ciências sociais. Boaventura de
Sousa Santos (org.) São Paulo: Cortez, 2002.
MARTIN, Hans-Peter e SCHUMANN, Harald. A armadilha da globalização: o assalto a
democracia e ao bem-estar social. São Paulo: Globo, 1999.
1406
SANTOS, Boaventura de Sousa. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade.
São Paulo: Cortez, 1997.
SANTOS, Milton. A urbanização brasileira. São Paulo: Huitec, 1994.
VIEIRA, Liszt. Os argonautas da cidadania: a sociedade civil na globalização. Rio de Janeiro
– São Paulo: Record, 2001.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.


Parecer CNE/CP n°3/2004 – aprovado em 10 de Março de 2004 e homologado em 19 de Maio de 2004 –, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Tal parecer possui orientações importantes no que tange ao respeito às relações étnico-raciais, ao reconhecimento e valorização da história e cultura dos afro-brasileiros, à diversidade da nação brasileira e ao igual direito a uma educação de qualidade para os afro-descendentes. Acreditamos que sua divulgação, análise e debate no interior das instituições escolares é um caminho profícuo para a promoção da cidadania e do apoio às populações negras que vivem em situações de vulnerabilidade social, com vistas à construção de uma sociedade mais justa e democrática.

O parecer procura oferecer uma resposta, entre outras, na área da educação, à demanda da população afrodescendente, no sentido de políticas de ações afirmativas, isto é, de políticas de reparações, e de reconhecimento e valorização de sua história, cultura, identidade. Trata, ele, de política curricular, fundada em dimensões históricas, sociais, antropológicas oriundas da realidade brasileira, e busca combater o racismo e discriminações que atingem particularmente os negros. Nesta perspectiva, propõe a divulgação e produção de conhecimentos, a formação de atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial – descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes de europeus, de asiáticos – para interagirem na construção de uma nação democrática, em que todos igualmente tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada.

É importante salientar que tais políticas têm como meta o direito dos negros se reconhecerem na cultura nacional, expressarem visões de mundo próprias, manifestarem com autonomia, individual e coletiva, seus pensamentos. É necessário sublinhar que tais políticas têm também como meta o direito de os negros, assim como de todos cidadãos brasileiros, cursarem cada um dos níveis de ensino, em escolas devidamente instaladas A seguir, trazemos o parecer CNE/CP n°3/2004 – aprovado em 10 de Março de 2004 e homologado em 19 de Maio de 2004 –, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Tal parecer possui orientações importantes no que tange ao
respeito às relações étnico-raciais, ao reconhecimento e valorização da história e cultura dos afro-brasileiros, à diversidade da nação brasileira e ao igual direito a uma educação de qualidade para os afro-descendentes. Acreditamos que sua divulgação, análise e debate no interior das instituições escolares é um caminho profícuo para a promoção da cidadania e do apoio às populações negras que vivem em situações de vulnerabilidade social, com vistas à construção de uma sociedade mais justa e democrática.

Bibliografia:
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Do parecer que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Parecer CNE/CP nº 3/2004, aprovado em 10 de março de 2004. Relatora: Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. Disponível emhttp://www.semesp.org.br/portal/ index.php?p=legislacao_secoes&sec=41 32 e equipadas, orientados por professores qualificados para o ensino das diferentes áreas de conhecimentos; com formação para lidar com as tensas relações produzidas pelo racismo e discriminações, sensíveis e capazes de conduzir a reeducação das relações entre diferentes grupos étnico-raciais, ou seja, entre descendentes de africanos, de europeus, de asiáticos, e povos indígenas. Essas condições materiais das escolas e de formação de professores são indispensáveis para uma educação de qualidade, para todos, assim como o é o reconhecimento e valorização da história, cultura e identidade dos descendentes de africanos.

Fonte: portal.mec.gov.br

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Violência contra mulheres preocupa autoridades no entorno do DF

A violência no entorno do Distrito Federal faz das mulheres vítimas frequentes. No município goiano de Águas Lindas, a 50 km de Brasília, a Delegacia de Atendimento à Mulher registra 80 casos de agressões domésticas por mês. Diariamente são registrados, ao menos, dois casos, mas os policiais já chegaram a receber até seis queixas em menos de 24 horas. Por ano, a estatística assusta: são 960 mulheres agredidas, de acordo com a coordenadora do Centro de Apoio à Vítima de Crimes de Águas Lindas, Rosa Maria dos Santos.
Rosa participou nesta segunda-feira de audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, a primeira de uma série de audiências que pretende discutir alternativas para o desenvolvimento autossustentável e a geração de emprego e renda na divisa de Goiás com o Distrito Federal. A audiência também teve a participação de representantes do governo do Distrito Federal e da Força Nacional de Segurança, que está reforçando o policiamento na região do entorno do DF, uma das mais violentas do País.
As mulheres vítimas de violência em Águas Lindas não contam com uma casa de passagem para acolhê-las e, por isso, ficam ainda mais desprotegidas, explicou Rosa Maria dos Santos. As estatísticas da Delegacia de Atendimento à Mulher, segundo ela, mostram a gravidade do problema, principalmente porque o governo federal acabou com o projeto que havia sido implantado no município para atendimento das vítimas de violência, que era vinculado à Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, segundo ela.
Fonte:http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5698618-EI5030,00-Violencia+contra+mulheres+preocupa+autoridades+no+entorno+do+DF.html

Princípio da igualdade de oportunidades incorporados a missão do Ministério do Trabalho e Emprego

O Programa Brasil, Gênero e Raça são executados por meio dos Núcleos de Promoção da Igualdade de Oportunidades e de Combate à Discriminação. O Ministério do Trabalho e Emprego tem buscado incorporar à sua missão institucional o princípio da igualdade de oportunidades e do combate a todas as formas de discriminação, considerando os seguintes pontos:

a) transversalidade: este princípio refere-se à perspectiva de incorporação de ações transversais nas políticas do Ministério em relação à promoção da igualdade de oportunidades e de tratamento e de combate a todas as formas de discriminação no trabalho. Pressupõe a realização de ações que objetivem mudanças nas atitudes, comportamentos e valores culturais institucionalizados, que contribuam para a superação das várias formas de discriminação no
mundo do trabalho.

b) articulação de políticas: as ações de promoção da igualdade de oportunidades e de combate a todas as formas de discriminação no trabalho devem ser fundamentadas a partir de uma articulação das políticas e ações que já vêm sendo executadas pelas diversas instâncias deste Ministério, com base na transversalidade.

c) desenvolvimento e inclusão social: as ações de promoção da igualdade de oportunidades devem afirmar a dimensão social do desenvolvimento como fator de inclusão social. Apoiar a elaboração, implementação e fortalecimento de iniciativas alternativas de desenvolvimento que possibilitem a redução das desigualdades sociais com geração de emprego e renda, fortalecimento da proteção ao trabalhador e à trabalhadora, bem como das relações sociais no trabalho.

d) participação e controle social: como política social, as ações de promoção da igualdade de oportunidades e de combate à discriminação no trabalho do Ministério devem desenvolver mecanismos e instrumentos de participação e controle social, voltados para a diminuição das desigualdades sociais e inclusão social com geração de trabalho, emprego e renda, fortalecimento da proteção ao trabalhador e à trabalhadora, bem como das relações sociais no
trabalho.

e) reconhecimento e valorização da diversidade e da diferença: implementação de ações institucionais que reconheçam e valorizem as diversidades e as diferenças existentes na sociedade, tendo como premissas a eliminação de todas as formas de discriminação no mundo do trabalho, a promoção e expansão da cidadania e o fortalecimento da democracia.

f ) articulação institucional: fortalecimento das parcerias com os diversos órgãos governamentais e com a sociedade civil organizada, com a finalidade de combater todas as formas de discriminação e de promover a igualdade de oportunidades e de tratamento no mundo do
trabalho.

g) fortalecimento do diálogo social: fortalecimento da transversalidade da promoção da igualdade de oportunidades, de tratamento e de combate a todas as formas de discriminação no mundo do trabalho, por meio dos espaços de diálogos e concertação social.

Fonte: http://www.mte.gov.br/discriminacao/ProgramaBrasiGeneroracatarde.pdf

sábado, 31 de março de 2012

Falta de recursos contra violência é criticada durante audiência pública realizada pela CPMI que investiga violência contra as mulheres


28.03.2012 – Representantes da OAB e de entidades de mulheres apontaram a falta de investimento por parte dos estados e a lentidão da Justiça como agravantes do problema no país.

Durante audiência pública realizada ontem (27) pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a violência contra as mulheres, estiveram presentes representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da União Brasileira de Mulheres (UBM) e da Marcha Mundial das Mulheres (MMM).

Para Sonia Coelho Orellana, representante da MMM, os governos estaduais ainda destinam poucos recursos para o combate à violência contra a mulher. “É impossível enfrentar a violência contra a mulher se os governos não têm orçamento para isso. Precisamos de fundos públicos que tenham verbas direcionadas para o problema”, disse.

Ela também destacou a insuficiência numérica e a concentração nas capitais dos equipamentos públicos para enfrentar a violência e acolher as vítimas, como centros de referências, casas-abrigos, delegacias, juizados especializados, defensorias e promotorias especializadas.

A representante da OAB, Meire Lúcia Monteiro, apresentou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009, do IBGE, segundo a qual 25,9% das mulheres agredidas no país foram vítimas de seus cônjuges ou ex-cônjuges. Ela também afirmou que, apesar dos avanços na legislação, há falhas na execução das leis. Monteiro ressaltou ainda que a lentidão da Justiça atrapalha o combate à violência.

Monteiro defendeu a aprovação do Projeto de Lei do Senado (PLS) 37/10, de Lúcia Vânia (PSDB-GO), que determina, nos casos de violência doméstica, um prazo máximo de 48 horas para a conclusão dos inquéritos policiais.

A representante da UBM, Ana Carolina Barbosa, informou que pesquisa da entidade com a Secretaria de Políticas para as Mulheres revelou que: 76% das mulheres não conhecem as varas adaptadas da Lei Maria da Penha; 71% desconhecem serviços de abrigamento; 67% não conhecem uma defensoria pública; e 32% não sabem onde ficam as delegacias especializadas.

Acesso em 31/03/2012

Para ministras, caminhoneiros viram aliados na proteção às mulheres


Data: 30/03/2012

No lançamento da 6a Caravana Siga Bem, Eleonora Menicucci e Maria do Rosário defendem revisão da absolvição de acusado de estupro

As ministras das Mulheres, Eleonora Menicucci, e dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, colocaram caminhoneiros e caminhoneiras como agentes fundamentais no combate à violência que atinge as mulheres, principalmente meninas e adolescentes, durante o lançamento da 6ª Caravana Siga Bem, nesta sexta-feira (30/3), em São Paulo.

Segundo a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), o grau de capilarização próprio do transporte ao longo do território nacional faz com que caminhoneiros e caminhoneiras cheguem aos rincões do país. “Eles e elas agora transportam um novo produto, que é a luta contra a exploração sexual de nossas meninas”, disse a ministra, dirigindo-se principalmente aos motoristas representados, na cerimônia, por Marcos José Fiacoski, eleito Caminhoneiro do Ano 2011. O programa, da Petrobras, tem o apoio das duas secretarias, da Polícia Rodoviária Federal, da Volkswagen Caminhões e Ônibus e da Man.

Estradas: reposição de direitos

Eleonora salientou que a luta contra a violência sexual, prioridade nesse governo, é dirigida por duas ministras que pautaram suas vidas pela defesa desses direitos. “Quero dizer que não aceitamos mais conviver com este tipo de crime hediondo, sobretudo quando acontece com mulheres desprovidas de proteção, como são as meninas. A Petrobras não aceita mais isso, a Polícia Rodoviária Federal não aceita mais isso”, reiterou.

A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência (SDH/PR), Maria do Rosário lembrou que ao longo dos anos, as estradas foram caracterizadas como um “território de negação de direitos”. Para ela, “a caravana renova e vai mudando a cultura e o conhecimento que o Brasil tem de nossas estradas”.

Siga Bem Mulher, Siga Bem Criança

A Caravana Siga Bem, que percorrerá, em seis meses, 17 mil quilômetros e passará por 18 estados brasileiros, envolve diversas ações de responsabilidade social. Como a campanha Siga Bem Criança de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, com a divulgação do disque 100 para denúncias; o Siga Bem Mulher, em parceria com a SPM/PR, com ações que conscientizam sobre como prevenir e eliminar a violência doméstica e familiar contra as mulheres; e a divulgação do Ligue 180 – um canal aberto para ajuda, orientação e denúncias. Além disso, as e os motoristas receberão orientações sobre segurança nas estradas, atitudes mais conscientes ao dirigir e cuidados em relação ao meio ambiente.

Nas paradas ao longo das estradas, além das ações sociais, os profissionais da estrada e seus familiares também terão oportunidade de participar de atividades lúdicas e assistir espetáculos de teatro sobre temas sociais e ambientais. Haverá também palestras ministradas por profissionais do Departamento de Ensino da Polícia Rodoviária Federal, cujo objetivo é a conscientização sobre os níveis alarmantes de acidentes fatais nas rodovias brasileiras.

Direitos sonegados

Durante o lançamento da Caravana, as duas ministras defenderam a revisão da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que inocentou um homem acusado de estuprar três meninas de 12 anos sob alegação de que a presunção de violência no crime de estupro pode ser afastada diante de algumas circunstâncias – segundo a relatora, ministra Maria Thereza de Assis Moura, as menores a que se referia o processo julgado se prostituíam havia tempos quando do crime.

Para Eleonora, todas as mulheres, incluindo as profissionais do sexo, tiveram seus direitos sonegados pela decisão do STJ. Ela lembrou que toda mulher, no exercício de qualquer profissão, “tem de ter seus direitos respeitados, e toda relação sexual não consentida tem de ser vista como violência sexual, estupro – como crime previsto no Código Penal”.

Já a ministra Maria do Rosário lembrou que o governo está ingressando com ação que solicita a reversão da decisão do STJ, “porque toda criança, toda menina, tem de ser considerada como se fosse nossa filha, como se fosse a filha da nossa família brasileira”, justificou.

Caravana Siga Bem – 6ª edição
Período: Abril a Setembro de 2012
Equipe: 30 profissionais
Caminhões/Carretas: 7
Veículos de apoio: 3
Percurso total: 17 mil quilômetros
Número de estados: 18

Percurso em abril
1ª Parada - Posto Santa Rosa – Itajaí, SC – Dias 4 e 5
2ª Parada -Concessionária Breitkopf Caminhões – Itajaí, SC – Dia 9
3ª Parada -Concessionária Auto Agrícola - Passo Fundo, RS – Dia 11
4ªParada - Concessionária Icavel – Cascavel, PR – Dia 13
5ªParada - Posto Cruzadão - Sta. Cruz do Rio Pardo, SP - Dias 16 e 17
6ª Parada -Concessionária Germanya - Presidente Prudente, SP – Dia 19
7ªParada - Concessionária Granfer - Campo Grande, MS – Dia 21
8ªParada - Posto Caravagio - Campo Grande, MS -Dias 23 e 24
9ªParada - Posto Locatelli - Campo Grande, MS – Dias 27 e 28

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25 de novembro - Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher



Às vésperas do Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher, o Brasil estarrecido acompanha o caso publicado na imprensa do Pará e em jornais de todo o país, retratando o descaso cometido com a vida de uma menor na cidade de Abaetetuba no nordeste paraense.

Colocada numa cela com 20 prisioneiros, a menina de apenas 15 anos foi abusada sexualmente durante 30 dias pelos presidiários, num completo desrespeito à dignidade humana e ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

A CUT, por intermédio da Secretaria Nacional sobre a Mulher Trabalhadora, repudia a atitude dos responsáveis por este ato hediondo e exige das autoridades a punição dos envolvidos.

“FESTA DE DEBUTANTE”
Por: SNMT

Sarah, Nayara, Cecília, Carol, Maria Eduarda...

O nome não importa, são muitos os nomes delas.

Podia ser a sua filha, irmã, sobrinha, amiga, enteada...

Mas é a filha da outra...

Ela só tem 15 anos.

Ganhou um presente que não esquecerá para o resto da vida.

Ganhou uma “Festa de Debutante”.

O patrocinador da festa pasme...Um delegado.

Ele podia ter a chave que abria a porta do casarão para o grande baile de 15 anos, mas a porta que se abriu, foi a do Inferno.

No baile, não havia 15 meninas vestidas para celebrar com risos e paqueras a vida adulta que se inicia.

Havia, sim, mais que 15 presentes à festa. Havia 20.

Não eram meninas e rapazes que sorridentes se divertiam, como é típico da adolescência.

Nossa personagem sem nome, mas com uma dura história da qual não escolheu o roteiro, foi surpreendida por um ato desumano, vil e covarde.
Descobriu a duras penas que era a única convidada para a festa e o deleite de 20 homens (homens?)

Podia ser também a filha de qualquer um destes bandidos, incluindo quem lá a colocou, mas não era. Era a filha da outra... Ah! Mas com a filha da outra pode!

Nossa menina não caiu ali por “sorte” do acaso.

Foi presa roubando ou tentando fazê-lo.

Mas o que será que nossa personagem real buscava roubar em sua ânsia juvenil?

Um vestido, um tênis novo, dinheiro para ir ao seu merecido baile?

O baile que sua biografia de vida lhe negou?

O baile que é privilégio de algumas camadas da sociedade? Não.

Deve ter tentado roubar algo mais importante.

Algo que tome as capas das revistas mais “influentes” do país, algo que dê manchete, que saia no jornal nacional, algo que provoque a ira da elite à periferia, deve ser algo que comova toda a sociedade brasileira.

Já sei, deve ser um Rolex!

Acho que foi a tentativa de roubo de algo semelhante a isso que enfureceu e levou a essa infame decisão o homem que deveria estar lá para fazer apenas cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente, que tanto os movimentos sociais lutaram por conquistar.

No entanto, o que ele fez? Cometeu um ato criminoso contra uma menina que certamente poderia ser a sua filha.

Não. Jamais seria a sua filha. Isso só acontece com a filha da outra...

Foi uma longa festa! Um mês de “Festa de Debutante”.

E o resto de uma vida marcada pela dor, pelo desrespeito, pelo nojo, pela violência e, sobretudo pela indignação sentida por quem foi vitimada por um duplo crime, surpreendida pela traição cometida por quem deveria ocupar o lugar de instrumento de execução da Lei, mas que se mostrou o “anfitrião” de uma barbárie sem tamanho e sem limites.

Certamente foi uma festa inesquecível para a nossa debutante.

Não uma festa “lá no meu Apê”

Não uma festa de periferia, ou classe média ou alta de uma cidade qualquer, com direito a funk e ao rap das Antonias, compartilhado pela alegre companhia de meninas-mulheres e rapazes a quem a vida reserva o direito de celebrar, sorrir e de sonhar. Não. Não foi assim o “Baile de Debutante” da nossa personagem real.

Foi um longo e triste baile, ocorrido numa cela de delegacia no estado do Pará.

Foi um ritual de dor e humilhação, estendido por inacreditáveis 30 dias, confinada numa cela sendo estuprada por monstros covardes a quem o desprezo e a repulsa são os únicos sentimentos possíveis de se reservar, além, é claro, da exigência de justiça e punição a todos os envolvidos.

O desrespeito e a desumanidade sempre estão de mãos dadas com a violência e a covardia cometida contra as mulheres

Mas desta vez, a vítima ainda é uma menina, forçada a se tornar mulher.

Nossa personagem conheceu por 30 dias as piores facetas de uma sociedade que nunca tratou de maneira igual seus homens e suas mulheres. A violência cometida contra as mulheres é perversamente democrática e atinge nações no mundo inteiro. E para desespero da nossa personagem real, desta vez e de muitas outras que já ocorreram além das que, talvez nós sequer venhamos a nos dar conta, aconteceu aqui no nosso país.

Neste dia 25 de novembro, Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher, receba você e seus familiares a solidariedade, a vigilância e um forte abraço de todas as mulheres e homens do movimento sindical CUTista que se solidarizam rechaçando a violência cometida contra você e contra todas as mulheres no mundo inteiro.

Você não é a filha da outra, é uma filha deste país. Sinta-se (ao menos agora) acolhida por ele.

Fonte: site CUT